
É bastante provável que a maioria daqueles que gostaram dos divertidos dois primeiros exemplares da franquia "A Múmia" tenham uma péssima surpresa com este "A Múmia - Tumba do Imperador Dragão, que não agrada nem como matinê descompromissada.
Era inevitável uma mudança drástica de rumos na franquia "A Múmia". Desenvolvida pelo cineasta Stephen Sommers como uma agradável mistura de "Indiana Jones" com o monstro egípcio clássico da Universal (que distribui a franquia, aliás), os dois primeiros filmes da série agradavam por seu ritmo alucinado, ótimos efeitos especiais, certeiras piadas auto-referênciais. Além disso tudo, agradava principalmente pelo carisma de seu trio de estrelas, Brendan Fraser, Rachel Weisz e John Hannah, cada um encarnando um estereótipo típico de filmes de aventura (neste caso, o aventureiro, a pesquisadora e o ganancioso, respectivamente).
Infelizmente, a resposta é negativa. Sem um pingo da química dos filmes anteriores, este "A Múmia - Tumba do Imperador Dragão" não passa de uma pálida sombra dos exemplares anteriores da série. O filme começa com uma (excessivamente) longa seqüência mostrando a origem do impiedoso Imperador Han (Jet Li), que unificou a China através da espada de seus exércitos e do poder de sua magia. Buscando atingir a imortalidade, o governante procura a ajuda de uma poderosa feiticeira (Michelle Yeoh) que, ao ser traída, joga uma maldição no déspota e em seu exército, transformando-os nos famosos soldados de terracota.
"O roteiro do filme, além de pouco inspirado, não desenvolve bem os poucos conflitos que cria. Um exemplo da falta de criatividade do texto são as óbvias tiradas que permeiam a produção, seja na alternância de disposição do casal principal no seu aristocrático lar, ou nas cenas de batalha nas quais as piadas de Rick se restringem a uma única gag com uma camisa. Não esqueçamos também as aparições dos abomináveis homens das neves (de onde eles vieram mesmo) e do avião que se teleporta, fora o ridículo e patético "gancho" no final da fita. "
"Rob Cohen, apesar de seu talento para cenas mais pirotécnicas, aqui faz um trabalho sofrível na direção. Concebendo alguns planos simplesmente ridículos (em um certo diálogo entre Rick e Evelyn, a câmera está ridiculamente posicionada), Cohen ignora princípios básicos de como se contar uma história, atropelando fatos e inserindo elipses impossíveis, além de mostrar sua pouca familiaridade com a franquia jamais sabendo conduzir seus atores no tom correto desta. Para piorar, seu senso estético é totalmente datado e destoa completamente da história. Um exemplo disso é a seqüência final, na qual a areia forma o rosto de dois personagens tombados, sendo que esta vem dos ossos de dezenas de soldados mortos, não apenas daqueles dois mostrados. "
"Enquanto os efeitos que criam os seres fantásticos do longa são acima da média, sua utilização na fita nem tanto. Interessante notar que o diretor e o editor Joel Negron forçaram para colocar toda e qualquer cena que tivesse sido gravada por Jet Li na tela, para ao menos justificar a quase ponta do ator, cujo personagem aparece transfigurado em qualquer outra coisa durante boa parte do filme, limitando muito o tempo de cena de Li. "