quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Quem é o Coringa!?



Por: Daniel Carvalho


Nos últimos dias, me vi preocupado com uma questão tão complexa quanto enlouquecedora: quem, de fato, é o Coringa? Para quem não sabe o motivo da pergunta, basta assistir o novo filme do Batman, no cinema desde o último dia 18, para entender a pergunta. Para a resposta, é preciso um pouco de reflexão.

Críticos e fãs de cinema em todo mundo elogiaram a atuação do ator Heath Ledger, que interpreta o personagem. Dizem até que ele “robou” a cena. E não era pra menos. Com um papel destes nas mangas, um ás é balela.

Compreender a motivação deste Coringa é tão difícil quanto um jogo de cartas marcadas. Como diria (o mordomo), ele faz tudo ‘só pra ver o circo pegar fogo’. Coringa foge dos padrões e moldes dos colegas vilões; sua insanidade é motivada, apenas, por anarquia, desordem e o caos. Algumas cenas do filme ensaiam uma explicação sobre a rebeldia de tal vilão. Seria o pai alcoólatra que humilhava a mãe perante os filhos? Ou a esposa – viciada em jogos – insatisfeita com a demonstração de amor do companheiro?

Não é irracional pensar que o mundo vive cheio de Coringas e a vida é um jogo de baralho. Talvez os do mundo real não sejam tão insanos, mas a verdade é que, quem dá as cartas neste jogo é a sociedade, através de seus governantes.

Coringas como o do filme são filhos do pai corrupção e da mãe indiferença. São frutos de uma sociedade marcada por desigualdades, onde as Leis e o sistema de governo vivem em um constante colapso de funcionamento. A sociedade produz seus vilões, e até agora os nossos são apenas traficantes dispostos a matar ou morrer, estupradores que agem por impulso sexual ou assaltantes que buscam qualidade de vida. Todos os elementos que compõem a personalidade do Coringa são a combinação de cartas que até então não foram entregues para o mesmo jogador.

É neste contexto que surge uma proposta: ao invés de receber as cartas, por que cada um de nós não escolhe as suas? Porque devemos seguir a ordem social a nós imposta se esta não funciona na prática? Porque sermos governados, se podemos nos auto-regulamentar? Eis a teoria do Coringa, algo distante, mas não utópico. Felizmente, o Coringa é apenas um cachorro louco. Quem o soltou da coleira!?

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